mil horizontes atrás da nuvem míope

Pensei comigo todos esses dias em cultivar uma postura mais passiva. De uma passividade que não é inércia. Passividade de não acelerar muito, deixar um pouco na banguela, diminuir a velocidade, observar as coisas que passam, passar junto com elas… Eu tenho uma sede muito doida de viver, de querer descascar a fruta rápido pra sentir o gosto logo e de sentir o gosto sem deixa ele escapar da minha boca… Essa fome é relativa, como tudo mais. É o que se diz.

E aí? Uma professora me emprestou um livro. Disse que lembrou de mim muito enquanto lia. Um livro normal, de literatura, com uma história por trás e uma estética bacana. Mas o livro quase todo é só uma festa e uma percepção do narrador sobre a festa. E, nossa, o que são nossos pensamentos? Eles nos levam pra lá e pra cá, linkam fatos distantes com nossos desejos mais íntimos, colam as coisas onde elas não cabem. Querem descobrir, adivinhar, montar o quebra-cabeça indefinido das coisas impalpáveis!!!!!!!! AAAAH!!!! Onde isso nos leva?

Se eu tento descobrir o que significa cada coisa pra onde eu vou, afinal? Talvez pro campo das coisas que eu imaginei na hora que eram a realidade. Mas é a minha realidade… Se eu viajo e me entrego, se eu pulo e encontro um ralo, se eu beijo e quero fugir… O quer dizer? E se for tudo mentira? E se for tudo ilusão? E se for a última chance? E se? E se? E se?

Eu sei que eu viajei, me entreguei, foi massa, vacilei, pensei, me redimi, calei, não quis, andei, ajudei, observei, sorri, voltei, conversei, contei, perdoei, cheguei, recebi, contei, liguei, desisti… e… onde eu quero chegar? Eu não sei! Eu não sei se se chega. Eu não pensei em nada e não sei se fiz bem ou se fiz mal. Só sei que fiz. Talvez a sensação seja o que nos diz o que é bom e o que é mal. E é uma sensação minha que vem de mim e somente eu posso ter criado essa energia sensitiva, portanto é minha e eu devo decidir o que fazer com ela.

Tá. Aí tudo isso é uma divagação que me coloca num patamar de observadora ativa dentro da minha passividade linguística. Porque o que eu queria mesmo era aprender a fazer um pouco mais de silêncio. Um silêncio de não trocar excessivamente. “Eu digo o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais…”. Sabe?

E pensando em tudo isso que tá rodando dentro da minha cabeça há uns 5 dias e que talvez seja uma  mistura resultante de alguma digestão da semana passada, eu tinha decidido ler dois livros. Terminar o que eu já tinha começado e ler um pouco ‘Quem somos nós‘, só pra ver se me guio um pouco melhor. É. Porque na falta de um mestre, a gente tem que saber se guiar…

ai que vida

Então hoje cheguei em casa com um tédio meio selvagem, que eu já conheço. Deve ser um tédio típico dos geminianos ou dos humanos ou dos solteiros ou sabe-se lá do quê. O que importa é que esse tédio vem assim, quando eu chego em casa e entro num quarto, converso com alguns amigos no msn, dou uma olhada no orkut, blog, email, twitter, facebook, youtube e, de repente, tudo pára. Aí eu fico “certo, mas e aí?”. E aí eu penso em ligar pros amigos festeiros e ir pra rua. Só que… se isso fosse novidade, seria super normal e legal e até produtivo, vai saber. Mas não. Eu já sei. Eu já sei até que eu vou pensar que já sei quando o tédio estiver latejando dentro de mim e me fazendo rodopiar pela festa inteira à procura de não sei o quê.

Então pego o livro e abro numa página, leio um comentário. Passo… leio outra coisa… algo falando sobre o Universo. Que ele se apresenta a nós como algo ilimitado e cheio de possibilidades e, por outro lado, nós, seres do Universo, inúmeras vezes nos limitamos e caminhamos por zonas que já conhecemos.

Eu me pergunto… é medo?

O que nos impede de ver as inúmeras possibilidades que tantas vezes estão tão perto? Por que procuramos tanta coisa fora de nós? E por que, meu Deus, por que nos limitamos aos mesmos recursos? Se tudo é tão infinito, o que é essa nuvem de miopia que nos afasta do horizonte? E por que não apostamos todas as fichas no agora?

E… POOOOORRA!!!!! ONDE EU ACHO UM OCULISTA, OFTALMOLOGISTA, CIRURGIÃO, OLHO OU ALGO QUE O VALHA????????????

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4 Respostas para “mil horizontes atrás da nuvem míope

  1. Tava conversando com um amigo e ele disse que as vezes acha que só queria mesmo morar num lugar afastado da cidade, plantando pra comer, com alguém que realmente gostaria de estar ali com ele e que fosse recíproco.
    Eu pensei, pô.. tu não quer nada, né?
    E aí conversando, me questionei sobre essas condições que impomos pra nossa felicidade. Só serei feliz se… Talvez seja possível um exercício de satisfação incondicional. Pra gente sorrir mais, se aceitar mais e precisar menos…

  2. Profundo demais, talvez por falar do que está na superfície de quase todos nós humanos, saltando, pulsando, evidente… A nossa insastifação… Foi isso que vi em muitas linhas, um questionamento mais do que inteligente e inquietante sobre que diabos é isso que nos assola sempre e nunca nos abandona: a insatisfação?? O que devemos fazer com ela, por ela, pra ela? Devemos fazer, devemos ver, devemos silenciar?? O quanto essa insatisfação é a lente com a qual olhamos nossas vidas? Quanto de nosssos desejos e planos são construídos por ela? A insatisfação…. Nossa inimiga, nossa aliada, quando?? Em que momentos ela nos ajuda a sair da inércia e a evoluírmos e a partir de que momento ela é um impecílho para nosso crescimento? Seria ela a nuvem míope que nos impede de ter olhos pra ver????

  3. E se, e se e se!!! Certas mortificações humanas moram nos SEs…
    Lembrei imediatamente de algo que fala sobre a condição de bastar-se. Eu gosto dessa definição. Tudo é o que é e pronto… Aí vem aquele lance do ‘Waking Life’… dos lápis e das cores…
    Vejo sempre assim: o presente, a nuvem míope branca… e eu, sendo toda uma aquarela de tintas e possibilidades. O que ser? Sem dogmas nem convenções. Procure a vereda mais original, o traço mais íntimo e perfurador de mundo e mostre-o. Mostre-se! O SE agora transforma tudo em imenso. A folha, o dia, a vida, vocês, nós mesmas…

    É evidente que estou na vibe pintura… Mas a alma é realmente essa tela, esse palco, essas linhas à espera de serem escritas… ou não é nada. A imensa e vaga profundidade do nada…

  4. E quantos nadas tem po aí… e quantos nadas nos formam….

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