Arquivo do mês: março 2010

God love his children.

From a great high…

From a great high…

;*

Sobre a Coragem de ser quem se é!

Achey esse texto do Nuno Michaels, um Life-Coaching e Astrólogo que eu sou super fã… e resolvi compartilhar aqui com as buscadoras e tirar um pouco da teia de aranha que se instalou aqui… rs.

Beijos macacas! Amo vocês.

FLUTUANDO ENTRE MUNDOS
Manipulações invisíveis

Jogos de culpa, quais sugestões pós-hipnóticas subliminares

Raciocínios de maquiavel e astúcia sibilina

Insinuações transparentes no éter, mas molhadas, que as pessoas jogam umas com, e contra as outras, sem as mãos.

Tudo isto encoberto por uma enorme camada de medo e de milhões de acordos tácitos assinados por todos os cobardes ao longo dos tempos; a sensibilidade de um artista pode toldar-lhe a fama mas não deve toldar-lhe a clareza da visão. Ser fiel a si próprio é um desafio extraordinário num mundo de acordos implícitos, em que toda a gente anuiu em manipular-se subtilmente, sendo que todos o fazem, todos o sentem, todos o reconhecem e ninguém fala nisso. São uma espécie de sub-texto das interacções entre as pessoas. O recriminar subtil e discreto das sobrancelhas que se arqueiam perante o atraso de quarenta minutos do outro, enquanto os lábios são obrigados a repetir mecanica e contrariadamente enquanto os cantos da boca se retorcem “não faz mal nenhum teres-te atrasado” é tão ou mais violento do que uma reprimenda, directa e descarregada. Mas ninguém ousa expressar emoções de vida. Aguenta-se. Carrega-se. Suporta-se. Tolera-se. Aguenta-se. Aguenta-se. E disfarça-se.

Não nos atrevemos a expressar vida ou sentimentos, honrando a Coragem que exige sermos fiéis a nós próprios, porque corremos o risco de assustar os outros, afastá-los, levá-los a abandonarem-nos. Se queremos ser carrascos de nós próprios, acredita a parte mais impotente de nós, votemo-nos à rejeição, ao abandono pelos outros, e quebremos aquele que de todos os mandamentos humanos é a mais perversa de todas as leis: não deverás ser quem és, ou o Pai abandonar-te-á e levará com ele a Mãe. Primeiro perderás a força, estímulo e o entusiasmo, seguidamente o apoio e a matéria definhará para sempre debaixo dos teus sovacos. Vais morrer.

É verdade que em bebés, o abandono é a garantia da morte. Como adultos, no entanto, ser-se abandonado significa somente ser deixado a sós com a sua própria manipulação e a frustração da sua própria impotência. Sozinhos com nós próprios, o resultado final do ciclo anterior e o motor inevitável da próxima fuga para a frente: o paradigma do que é intolerável numa era de transição da manipulação emocional inconsciente para o apelo da Liberdade enquanto mais e mais irmãos de jornada despertam para a realidade da Alma.

E por isso, por esse mesmo medo não nos denunciamos nas nossas manipulaçõezinhas vis e subtis mútuas. Estamos todos ligados… mas enquanto não despertamos para a Alma não é pelos corações que nos unimos; é pelos sentimentos de medo e pelas frequências mentais semelhantes. A esse nível também somos uma unidade, mas uma unidade inconsciente… um enorme gigante adormecido, com o sol fraco em cada uma das células, brilhando no fundo das águas. Porque a verdadeira Unidade é consciente e implica rasgar, romper e evaporar essas águas, conquistar o poder de um Sol pessoal que brilha acima, apesar das águas, e será sob essa Luz que a verdadeira Unidade poderá voltar a ser conquistada.

Na Astrologia Esotérica, simbolizamos esse processo em três etapas, representadas arquetipicamente pelos signos de Caranguejo, Leão e Aquário.

Caranguejo, a dependência, a submersão no inconsciente colectivo, nas águas indiferenciadas das quais nascemos mas das quais precisaremos separar-nos sob pena de nunca nos reconhecermos, individualizarmos, e actualizarmos. A vulnerabilidade de quem nasce à mercê de quem o contenha e cuide, e todos nascemos nessa condição; nascemos totalmente dependentes de um colo que nutra e alimente e proteja e em torno dele orbitamos, tal como a Lua, regente desse signo no simbolismo astrológico, orbita em redor da Terra.

Caranguejo simboliza, nesta perspectiva, o primeiro e mais arcaico medo de todos os medos humanos – o medo do abandono, da rejeição, da solidão, da perda da protecção. Mas o preço dessa segurança, que é a mesma segurança que o rebanho dá à ovelha, é o de permanecer confundido com a matriz nutridora indiferenciada e nunca descobrir quem se é, ou deixar uma marca individual, única, sobre o mundo. Kali, a grande mãe devoradora, dá a vida mas também a retira quando prefere engolir os seus filhos a deixá-los cumprir os seus próprios caminhos.

Leão surge como a etapa seguinte, a da conquista de uma Identidade própria, da auto-consciência, a consciência do Sol/Espírito em nós, o Fogo que ousa brilhar e expressar-se, egoística mas corajosamente para expressar e honrar o potencial criativo divino que habita em todos nós de uma maneira única e irrepetível. Curioso observar a esse respeito a simbologia do glifo do Sol, regente do signo de Leão, que é um círculo com um ponto no meio – onde o círculo representa a perfeição total e totalizante do Espírito, e o ponto a manifestação individualizada dessa totalidade através de uma consciência humana particular. Leão simboliza, nesta perspectiva, a Individuação – saber quem se é, e somos todos expressões da Vida Maior que nos anima e sustenta, uma vez que ousemos libertar-nos das águas cancerianas inconscientes.

Mas a conquista da auto-consciência e de uma individualidade não é a etapa final neste processo. Uma vez vencidas as águas de Caranguejo e conquistada a auto-consciência em Leão, Aquário vem simbolizar o processo de identificação e cooperação entre seres individualizados, auto-conscientes, emissários particularizados da própria Divindade, reflexos especulares e faces diferentes do mesmo Um Diamante; seres que se reúnem, encontram e atraem por partilharem projectos, visões, ideais, e objectivos de consciência comuns que podem ser resumidos num só – o do Projecto da Circulação da Luz por toda a Humanidade.

Não basta individualizarmo-nos, é necessário chegar ainda à etapa seguinte – a da Consciência de Grupo, materializada na Boa-Vontade, na Lei do Empenho Grupal, na Lei das Relações Humanas Correctas e na Consciência de Serviço ao(s) outros – tudo isso que Aquário simboliza. E sermos quem somos (Leão), libertando-nos das Águas que nos mantêm cativos do medo e da imaturidade emocional (Caranguejo), é o preço a pagar para aí chegar. Isso nos ensina a Astrologia, a garante a Ciência Esotérica – quando intuídas como vias de Religação e não como conhecimento puramente intelectual, ferramenta de manipulação da vida ou de julgamento dos outros.

Mas no mundo da inconsciências das Águas, o acordo global do medo, da conivência, da concessão assustada e prevenida de um Sol apagado, é um drama colectivo de resposta individual. Para sobreviver dentro da matriz são necessárias estratégias de sobrevivência, e isso não é ainda a verdadeira Vida. “Eu tolero a tua manipulação, não porque tu me enganas – nunca me enganaste – mas para poder, eu próprio, continuar a manipular-te a ti” (e compensar-me assim energeticamente pelo facto de te permitir a ti manipulares-me a mim). Eu mordo no teu pescoço, e tu mordes no meu. O acordo de vampiros perfeito. Toda a gente se drena. Ninguém se denuncia. Chupai, chupai, como se não existisse amanhã.

E todo o desespero frenético de tentar culpabilizar os outros pelos nossos próprios sentimentos, como se nos aliviasse a dor demitirmo-nos da sua autoria ou quiséssemos entregar ao outro a responsabilidade de no-la curar, não é uma solução – é um problema acrescido. Quanto mais acreditamos que o outro nos está a “causar” o que sentimos ou pensamos, mais perdidos estamos do poder pessoal – não aquilo a que uma Humanidade adormecida chama “poder pessoal” como sombras da força física ou inteligência concreta, o património do mecenas, o dinheiro do milionário, o magnetismo da beleza rara, a quantidade de diplomas, tatuagens ou lobbies.

Mas o poder pessoal que é a primeira portagem. O que antecede, e sucede, a consciência. O poder de criar. O poder de amar. O poder de servir.

Urge ir além das grandes águas, essas que nos mantêm submersos e aquém do nosso próprio poder, do nosso próprio e divino-eterno Sol interno.

“… dos céus caiu uma estrela e o homens morreram das águas, que se tornaram amargas” (no Livro do Apocalipse).

© Nuno Michaels, aos vinte e um de março do ano numerado dois mil e dez.
Todos os direitos reservados. Divulgação permitida e encorajada sem permissão do autor, desde que não se façam passar por ele 🙂