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No silêncio: quais as suas inquietações?

              O dia passou rápido, muito rápido. Ela está em sua cama, pronta pra dormir. Apagou a luz. Silêncio. Agora é a hora da verdade, onde ecoa a ausência de som e de certezas. Ela poderia fechar os olhos da alma, mas prefere cerrar os do corpo. De olhos fechados no escuro, ela vê. São perguntas, muitas perguntas! O bom é que ela já entendeu: as perguntas não têm respostas, o objetivo é somente buscar. Tem coisa que não se procura, mas se acha!

LAS BUSCADORAS! Existe alguém na linha?

 

 

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Dor e Deslumbramento

A questão do afeto é sempre uma grande questão a ser pensada.   E só experimentamos o afeto por causa dos nossos relacionamentos. É na relação primordial da mãe com o bebê, que este passa a experimentar gradativamente afestos, sentimentos, vontades, sensações que o marcarão para sempre.  Se somos constituídos a partir de relações intensas e marcantes porque temos tantos atropelos em nossos relacionamentos? Alguns autores da psicanálise e de filosofias orientais afirmam que desde o início, na origem da relação mãe-bebê os descompaços se fazem sentir. A própria mudança brusca no estado intra-uterino para o mundo externo é fonte de fortes e desagradéveis sensações. Sensações tais como, a fome, a sede, as dores abdominais pelo aparelho digestivo em adaptação, a luz.  Mas, são essas sensções fortes, que trilham caminhos em nossos neurônios, nos levando a buscar saídas e a aprender. A dor, então, nos acompanha por toda a nossa existência, desde a origem. É nos relacionamentos afetivo-sexuais que experimentamos uma quantidade maior de incertezas e receios. Nestes, a possibilidade de decepção é mais marcante, pois o que nos leva a estar com o parceiro, não foi erigido sobre bases fundantes como o elo de ligação com os pais e familiares. Sabemos que antes de conhecermos aquela pessoa, vivíamos sem ela, e nos questionamos até quando esse sentimento irá animar os parceiros e fazê-los desejar estarem juntos. Acredito que não existe uma resposta única para esta questão, mas arriscar reflexões é sempre frutífero. Talvez possamos definir o que anime um casal a permanecer prazerosamente juntos, seja algo como um encatamento. Encatamento se traduz na sensação de falta que o outro nos faz. Assim como no início de nossa cosntituição, a falta dos que nos eram caros,  foi motor de nosso aprendizado e desenvolvimento. Falta, essa, sustentada pela presença alternada. A falta que o outro nos provoca nos move a querer estar junto. É o motor do nosso desejo, que nos faz re-experimentar a satisfação, nunca completamente saciável, de interagir com o outro. Portanto, a tão conhecida e avassaladora paixão, pode se atenuar, mas o encatamento permanece movendo e ascendo o desejo pela busca do outro. É deslumbramento sempre presente, por vezes mais silencioso, outras mais vibrante.  Como diz Lacan:

                     Amor é dar aquilo que não se tem, aquele que não pediu.

Não nos apressemos, tudo se aquieta com o tempo

Não caminhemos muito devagar, o andar nos leva para caminhos necessários

Escutemos, as verdades já foram ditas a milênios e agora precisamos deixá-las reverberar em nossas consciências…

É simples, a mensagem pode ser encontrada aqui:

“Nada te pertube, nada te espante. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem Deus, nada lhe falta. Só Deus basta.”

Percorrendo o caminho?

Por que universos passeam meus pensamentos? O que fazer às  7 da noite em uma selva de pedras com praia? Tantas possibilidades, quase infinitas. E dentro dessas várias paredes que me cercam? Mas não são elas que me cercam, mais alguma outra coisa que ainda não sei. Uma coisa não palpável, uma coisa que foi feita de escolhas e que pode ser mudada assim com as velas em favor do vento. Pra que lado estão minhas velas? Pra que lado sopram os ventos da minha vida? Talvez eu queira um tufão, que me arrebate do chão, que mude a rota de minhas escolhas, ou talvez eu queira continuar um pouco mais nessa rota, observando as fronteiras. O que quero afinal? Estar sempre querendo alguma outra coisa diferente da que me é oferecida? Que mente insaciável e boba, desatenta às lições  advindas desse caminho. Devo estar atenta ao meu caminhar, ao invés de só passar por essas veredas desejando incessantemente outro trilhar. Agradeço, então, à rota bem-dita que percorro agora. E aprendo que é por ela que deve passar meu caminhar errante pra se tornar um acertante andar.

Palavras e silêncio

                           As vezes no meio do dia preciso me chamar: owww arella, se enraíza, coloca os pés bem fincadinhos no chão, concentra tua energia pensante no mundo da matéria agoRA! Me obedeço na hora. Farei isso até não ser mais preciso, se é que isso acontecerá. Mas, olha só buscadoras, estranhamente minhas certezas estão cada vez mais escassas, e eu nunca me senti tão segura e tão certa de estar no caminho certo. Não falo de teorias bonitinhas sobre desapegar-se das idéias pré-concebidas, falo de uma transformação louca, vital e arrasadora. Agora não penso no mundo de acordo com minhas teorias, não consigo mais. Penso nas coisas, e concluo: não sei nada disso, owwww Deus, owww inteligência suprema me ajuda aí a entender. Tão bommmmmmmmmmmm. Como se eu tivesse me lançado num precipício que me causou uma tremenda úlcera no estomago de medo e ansiedade, e quando eu me lanço eu vejo que sempre tive asas e posso ir planando, curtindo, me afetando, bebendo as águas das cachoeiras que caem pelas fendas dos vales da vida. IHHHHHHHHHHHHH!!

Agora sou uma garota crescida: Posso postar sozinha!!

                 Não poderia deixar de escrever um post em homengem a esse momento!! A amiga Akila conseguiu me dotar de poder para publicar meus posts!! Revisão e rascunho, para depois importunar minhas nobres colegas no msn para postarem minhas coisas, nunca maissssss!!! Viva a Akila!!  Sabe, ainda pensado no texto que ela escreveu sobre a nuvem mípoe que nos impede de ver…. Isso tbm é uma coisa que me inquieta faz tempo, e faz meus neurônios esquentarem mais ainda ultimamente. Acho questamos em sintonia!! Andava exatamente assolada por esse tédio, que na verdade é uma manifestação da insatisfação desenfreada. O que vem me ajudando bastante em relação a isso são minhas leituras espiritualistas, meditação (mesmo que seja 5 minutos!! rsrsr), yoga… Enfim, estou cada vez mais decidida a afirmar que nossos amigos orientais já se perguntaram muiiiiito sobre essa tal insatisfação que nos escraviza, e a uns 5 mil anos nos presenteiam com os achados de suas questões. Realmente acredito que as filosofias orientais tem muiiiito o que ensinar a nós, pobres ocidentais escravizados, cantando eternamente nosso “mantra” detonador de felicidade: “eu sempre quero mais que ontem, eu sempre quero mais que hoje, eu sempre quero mais do que eu posso ter“. Não que no oriente não exista insatisfação, se não existisse eles não teriam nem passado a pintar os saris de cores diferentes! A insatisfação sadia, normal é aquela que nos impede de nos conformamos, como débeis viventes da mesmice. Podemos estagnar tanto pelo excesso de insatisfação, como pela falta dela. Recorro então aos orientais. Buda já tentou nos tirar dos olhos a nuvem míope quando afirmou: buscai o caminho do meio!! Ora, ora!! Isso é tudo o que nós ocidentais não sabemos fazer! Caminho do meio?? Para nós ocidentais, só se ele for o caminho que nos levará as emoções mais fortes, a alcançar os objetivos excitantes e imensos, que me faça fugir do meu tédio de existir e estar contido em um corpo e em uma realidade que me limita!  Pobres de nós!! Tão ignorantes na arte viver, de saber viver!! Somos como crianças famintas que têm uma grande floresta de alimentos a sua disposição pela eternidade, mas que age como se fosse a última vez que iremos comer, como se a nossa fome angustiosamente insaciável fosse sempre nos acoçar como uma dor incômoda e ávida por chegar ao fim. Mas justamente por termos os olhos tampados pela nuvem míope da insatisfação não conseguimos enxergar o manancial de alimentos que nos espera, não conseguimos se quer saborear o alimento que passeia pela nossa boca. Não sabemos, na verdade, se o que temos na boca é o alimento que nos saciaria a fome ou uma insafistação esburacada e sem fim….. Vamos degustar a vida tomando consciência da imensa floresta que se oferece a nós??   E a gente…. Continua tentando, pq uma hora e a gente consegue!!  Só me resta mandar aquele abraço pros sábios orientais!!

p.s.  Saturnine manifeste-se, pq esta é  a sua praia!!

Felicidade é gratidão

A felicidade é o que me move agora para escrever esse post. E eu me perguntei: escrevo ou não? E me respondi: Você escreve quando está triste, angustiada, sagrando por dentro? Sim, sim! “Pois escreva sobre mim também” Respondeu-me minha felicidade!! Okkkk, não discordarei mais! Hoje o dia foi leve, colorido, até o preto e branco teve mais brilho do que o normal. Talvez pq ontem antes de dormir conversei longamente com quem me criou, e criou vocês também, por acaso!! Sim… Ontem desabafei com Ele as opressões da minha alma, e hoje, magicamente, meu dia foi desenhado por um pincel doce, sutil e amoroso… Me sinto com a mesma euforia inexplicável que sentia durante minha infância, e chego até a me sentir habitando ainda aquele corpo pequeno e curioso, que me parecia cor-de-rosa!  Sinto a cor que cada pessoa desenhou aos meus olhos ao cruzar meu caminho. Sinto o cheiro revigorante que o amor me fez experimentar tantas vezes. O ar que acaricia meus pulmões, insuflando em mim a luz, a paz, a coragem. O  prazer curador que as vezes estremeu meu corpo e  muitas outras levou ao êxtase minha alma. Sinto, vejo, estremeço, acredito, ouso, calo, me entrego…  Escrevo…